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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Benedetti vive!

Mario Benedetti virou passarinho. Quem quiser conhecer suas poesias clique aqui. Procurem na internet, no youtube sobre ele. Abaixo segue um poema tra(b)duzido sobre a morte de Pinochet. E um video onde declama seu poema "Desaparecidos"


Obituário com urras!

Mario Benedetti

Vamos festejar!

Venham todos

os inocentes

os fudidos os que gritam de noite

os que sonham de dia

os que sofrem o corpo

os que alojam fantasmas

os que pisam descalços

os que blasfemam e ardem

os pobres congelados

os que amam alguém

os que nunca se esqueceram

vamos festejar

venham todos

o canalha está morto

se acabou a alma negra

o ladrão

o porco

se acabou para sempre

urra! que venham todos

vamos festejar

e não digam

que a morte

sempre apaga tudo

a tudo purifica

qualquer dia

a morte

não apaga nada

ficam

sempre as cicatrizes

urra!

morreu o cretino

vamos festejar

e não choremos sem motivo

que chorem seus iguais

e que engulam suas lágrimas

se acabou o chefe dos monstros

se acabou para sempre

vamos festejar

e não sejamos tolos

crendo que este

é um morto qualquer

vamos a festejar

e não vamos nos descuidar

e esquecer que este

é um morto de merda.





Están en algún sitio / concertados
desconcertados / sordos
buscándose / buscándonos
bloqueados por los signos y las dudas
contemplando las verjas de las plazas
los timbres de las puertas / las viejas azoteas
ordenando sus sueños sus olvidos
quizá convalecientes de su muerte privada

nadie les ha explicado con certeza
si ya se fueron o si no
si son pancartas o temblores
sobrevivientes o responsos

ven pasar árboles y pájaros
e ignoran a qué sombra pertenecen

cuando empezaron a desaparecer
hace tres cinco siete ceremonias
a desaparecer como sin sangre
como sin rostro y sin motivo
vieron por la ventana de su ausencia
lo que quedaba atrás / ese andamiaje
de abrazos cielo y humo

cuando empezaron a desaparecer
como el oasis en los espejismos
a desaparecer sin últimas palabras
tenían en sus manos los trocitos
de cosas que querían

están en algún sitio / nube o tumba
están en algún sitio / estoy seguro
allá en el sur del alma
es posible que hayan extraviado la brújula
y hoy vaguen preguntando preguntando
dónde carajo queda el buen amor
porque vienen del odio

sexta-feira, 15 de maio de 2009

XXVI

Durante o dia constrói
Seu muro de girassóis,
(Sei que pretende disfarce
E fantasia.)
Durante a noite,
Fria de águas
Molhada de rosas negras
Me espia.
Que queres, morte,
Vestida de flor e fonte?

- Olhar a vida.

(Hilda)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Bom poema para tempos de crise

A espera (Ferreira Gullar)

Um grave acontecimento está sendo esperado por todos

Os banqueiros os capitães de indústria os fazendeiros
ricos dormem mal. O ministro
da Guerra janta sobressaltado,
a pistola em cima da mesa.

Ninguém sabe de que forma desta vez a necessidade
se manifestará:
se como
um furacão ou um maremoto
se descerá dos morros ou subirá dos vales
se manará dos subúrbios com a fúria dos rios poluídos
Ninguém sabe.
Mas qualquer sopro num ramo
o anuncia
Um grave acontecimento
está sendo esperado
e nem Deus e nem a polícia
poderiam evitá-lo.